
Os mineiros prestaram suas últimas homenagens ao ex-presidente e ex-senador Itamar Franco, que foi cremado nesta segunda-feira, dia 4, no Parque Renascer Cemitério e Crematório, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A cremação ocorreu depois de Itamar Franco ser velado durante toda a tarde de domingo em Juiz de Fora e nesta segunda-feira pela manhã no Palácio da Liberdade, na capital. Itamar morreu no sábado, dia 2, aos 81 anos, no Hospital Albert Einstein em São Paulo, em decorrência de um acidente vascular cerebral ocorrido durante tratamento contra um câncer. A Prefeitura de Belo Horizonte decretou luto oficial de sete dias.
O corpo do ex-presidente chegou às 10h40 no Aeroporto da Pampulha e, após ser recebido por familiares e por autoridades, recebendo as honras de um chefe de Estado, seguiu em cortejo fúnebre, em carro aberto do Corpo de Bombeiros. O carro que levou o corpo de Itamar até o Palácio da Liberdade foi o mesmo utilizado para transportar o do ex-presidente Tancredo Neves, em 1985, e o do ex-vice presidente José Alencar, em março deste ano.
Para o prefeito Marcio Lacerda, a morte de Itamar é uma perda irreparável. “Itamar Franco deixou, na política e na vida, a ética, a seriedade e a honestidade como valores intrínsecos à sua brilhante trajetória pública. Um homem público que fará falta ao país pela coragem em defender as suas posições, pela luta incansável em prol da soberania do Brasil, de Minas Gerais e da justiça. E, além de tudo, deixou um legado de estabilidade econômica, com a criação do Plano Real, que abriu as portas para o desenvolvimento e o crescimento brasileiros”, afirmou o prefeito.
No Palácio da Liberdade, além da presidente Dilma Rousseff e do prefeito Marcio Lacerda, estiveram presentes o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-governador de São Paulo, José Serra, e os senadores Aécio Neves e Clésio Andrade, entre outras autoridades.
Trajetória
Nascido em Salvador, na Bahia, Itamar sempre se considerou mineiro. Prefeito por duas vezes de Juiz de Fora, chegou à presidência da República em 1992. Era o vice de Fernando Collor, que sofreu um impeachment. Em julho de 1994, ele e o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, lançaram o Plano Real. Com uma nova moeda, o plano econômico pôs fim à inflação depois de quase três décadas de descontrole nos preços. Itamar Franco também foi embaixador, governador de Minas Gerais e senador por três mandatos. No último, teve que se afastar para tratar de uma leucemia.
Publicado em 04/07/2011 17:01:18
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04/07/2011 - 20:07
Itamar Franco, um político à moda antiga
Quando morre qualquer político, os governantes indistintamente louvam sua memória e decretam luto oficial, mas no caso de Itamar Franco, um observador foi muito feliz ao declarar que, desde a redemocratização, foi o único presidente a combater a corrupção por princípio - e não em obediência a formalidades ou para impressionar a sociedade. Não precisava de código de ética para agir certo. Quando seu ministro-chefe da Casa Civil Henrique Hargreaves foi acusado de corrupção, Itamar o afastou, até a elucidação do caso. A mesma Casa Civil, de lá para cá, já gerou muitos escândalos.
Por sua conduta ética, era ridicularizado tanto pelos corruptos como por setores tidos como elitizados da nação. Falava-se, pejorativamente, em "república do pão de queijo", quando o que muitos queriam era a possibilidade de realizar operações de risco, como o polêmico imbróglio Diniz-BNDES-Carrefour. Para muitos, era "ultrapassado", quando, na verdade, era um modelo de simplicidade e honestidade. Um político à antiga, no bom sentido do termo. No entanto, o homem era turrão. Certa vez, como não tinha sido avisado, mandou o Banco Central suspender a emissão de novas cédulas. Depois, liberou. De certo modo, Itamar jogava lenha na fogueira sobre sua imagem, como ao estimular uma constrangida Volkswagen a trazer de volta o Fusca, quando os carros novos estão cada vez mais sofisticados.
A morte de Itamar coincide com a explosão de nova denúncia no atual governo: a de corrupção no Ministério dos Transportes. Há anos havia comentários de bastidores sobre problemas na pasta, mas agora pelo menos parte dos fatos se tornaram públicos. Sensível à ação política, a presidente Dilma até agora poupou o ministro Alfredo Nascimento (PR). A presidente teme afastar Nascimento e provocar a ira de seus aliados políticos.
Itamar sofreu de Fernando Henrique Cardoso uma enorme traição. Tendo sido o presidente responsável pelo Plano Real, Itamar tinha 90% de chances de suceder a FHC, em 1998. Mas, como mancha em sua biografia, Cardoso conseguiu fazer aprovar, no Congresso, mudança nas regras do jogo, permitindo que o presidente pudesse se reeleger de forma imediata. Se o país queria a reeleição, isso teria de valer para o sucessor de FHC, jamais para ele próprio. Com essa manobra imediatista, FHC tirou de Itamar a possibilidade de retornar triunfalmente ao Palácio do Planalto.
Por infeliz coincidência, a oposição, que Itamar tão bem defendeu no Senado, diminui com a ascensão dos suplentes. No início do ano, com a morte de Eliseu Resende, do Democratas, subiu Clésio Andrade, do bloco oficial. Igualmente Zezé Perrela, que ocupará a cadeira de Itamar, não é de oposição, e ainda responde aos órgãos de fiscalização.
Vaias e aplausos
"Ao avistar Collor e Sarney o público reagiu com vaias e gritos de "pega ladrão"". Está escrito na página 4 de O Globo de domingo, no noticiário sobre o velório de Itamar Franco. Já Lula foi aplaudido pelo povo. Embora o PT não tenha apoiado o Plano Real e ele feito oposição direta ao Governo Itamar. Mas Lula é Lula.
(http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=97205)
Oiiii vim agradecer a visita que me fez , e tb . agradecer pelas palavras carinhosas que deixou.
ResponderExcluirDesejo um bom final de semana pra vc. e sua família.
Bjs